Ministério da Justiça solicita análise do Cade após alta nas bombas, mesmo sem reajuste anunciado pela Petrobras.
O aumento recente no preço dos combustíveis no Distrito Federal passou a ser alvo de investigação do governo federal. Nesta terça-feira (10), o Ministério da Justiça solicitou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) avalie se houve irregularidades ou práticas anticoncorrenciais relacionadas ao reajuste aplicado por postos de combustíveis na região.
Na semana passada, postos do DF informaram que os preços da gasolina e do diesel sofreriam aumento devido aos impactos da guerra no Oriente Médio no mercado internacional de petróleo. No entanto, a Petrobras não anunciou nenhum reajuste recente nos preços de venda desses combustíveis nas refinarias, o que levantou questionamentos sobre a justificativa apresentada pelo setor.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Distrito Federal (Sindcombustíveis-DF), as distribuidoras teriam repassado um aumento de aproximadamente R$ 0,20 por litro no diesel e R$ 0,03 por litro na gasolina. Mesmo com esse argumento, a ausência de reajuste oficial nas refinarias chamou a atenção das autoridades e motivou o pedido de investigação.
Uma equipe de reportagem visitou diversos postos de combustíveis em Brasília na manhã desta quarta-feira (11) e encontrou preços mais altos em comparação com os valores praticados na semana anterior. No Eixo W Sul, por exemplo, a gasolina estava sendo vendida por cerca de R$ 6,55, enquanto antes do anúncio do aumento o valor médio era R$ 6,45. Já na SQS 302, o litro da gasolina passou de R$ 6,39 para R$ 6,53. No Lago Sul, na QL 08, motoristas encontraram o combustível sendo comercializado a R$ 6,56, cerca de R$ 0,11 a mais que o preço registrado uma semana antes.
Em nota oficial, a Presidência da República afirmou que, apesar do conflito no Oriente Médio ter causado instabilidade no mercado internacional de energia, os efeitos diretos sobre o Brasil são considerados limitados. O comunicado destaca que o país é um exportador de petróleo bruto, embora ainda dependa da importação de alguns derivados, especialmente o diesel. Mesmo assim, a participação de países do Golfo Pérsico no fornecimento desses produtos ao Brasil é relativamente pequena.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que houve uma leve alta no preço médio da gasolina no país entre o final de fevereiro e o início de março, passando de R$ 6,28 para R$ 6,30 por litro. No mesmo período, o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08. Apesar dessas variações, os números não indicam aumentos expressivos que justifiquem mudanças mais significativas nos preços em alguns postos.




